Um carinho já não faz verão #Diário

    Ontem tava cozinhando com o crush e ele disse: tô pensando em tomar banho; - precisa de mais alguma ajuda? (Mesmo vendo que não tinha mais nada para fazer, ele tem sido um docinho em um nível sem precedentes) 

    Ainda aguardando a caixa econômica liberar meu financiamento e resposta sobre minha dissertação. 

    Em outros tempos o menor gesto de carinho teria me feito apagar no primeiro colo desavisado, hoje com duas instâncias da minha vida em espera tenho dobrado as horas da terapia, segurado tudo que devo sustentar sem pedir ajuda, e, ainda sofrendo com o pior que meus remédios psiquiatricos podem me proporcionar na quarta mudança de medicação. 


Estive off

Neste meio tempo desaparecido, minha cabeça só conseguia produzir poesia estimulada por oficinas de escrita criativa. Escrever sobre minha rotina não andava fazendo sentido, desconectado da minha fé e me conectando com algum remédio para bipolaridade que até agora não fez sentido. Neste meio tempo anitta lançou umas músicas legais sobre religião, com tambor bom de ouvir e letras de afirmação boas. Ahh também estive amando e sendo amado na medida certa das coisas. E pasmem, no meio deste furacão todo ainda a tentativa de uma casa que inúmeras vezes me questiono/questionei se eram para mim e um mestrado que não termina nunca.  Ando fugindo do mestrado como quem quer terminar por passe de mágica. Quero seguir para próxima etapa, mas tá lento e doloroso. 

um poema escrito para mim

 



Hoje participei de um sarau, talvez não queira falar muito sobre, mas eu que sou todo "tiny" escutei sendo declamado a muitas pessoas que diziam: acho lindo esse casal. Um casal que não foi para frente como muito das minhas tentativas por falta de maturidade do outro.

Tem uma passagem da Fernanda Montenegro lendo Simone Beauvoir que não paro de pensar em que ela diz: -  Sartre a tratava de igual para igual, mas só se sentiu mulher na cama com um imigrante em Chicago. (Depois vou pegar o audio pra ouvir e escrever sobre) gravo coisas sem autorização porque penso nelas depois. 

o Fábio e recortes de memória


    Quando eu fui para o Equador em 2015, eu perguntei para o Fábio se ele podia me levar de carro de Guaratiba até o Galeão (algo em torno de 50 a 55 km). Naquela época, eu era um estagiário numa empresa ruim, que pegou o salário do mês, acho que 900 reais e foi numa casa de câmbio num shopping trocar por dólar, algo em torno de 120 dólares). Ou seja, eu era um fudido pior que a Madonna que chegou em Nova Iorque com 50 dólares nos anos 90. Mas, retornando ao Fábio, ele me levou sem nem me cobrar a gasolina. Quando a gente colocou a mala no carro a minha avó começou a chorar e sem conseguir falar direito disse que eu era o amor da vida dela. Eu fiquei as duas horas de viagem de Guaratiba até o Galeão em silêncio no carro, foi quando a ficha caiu que talvez eu não voltasse mais. 

    Eu só tinha a passagem de ida para um país que não conhecia ninguém e nem falava espanhol. Mas, dessa vez tudo foi diferente, estou retornando para o Rio e eu fiquei feliz de poder dar um pouco mais do dinheiro da gasolina para ele vir pra Campinas pegar minhas coisas para voltar para casa para novos objetivos e sonhos. O Fábio é um amigo que eu sei que tá sempre do meu lado quando eu preciso dele, daqueles amigos que te ajudam a esconder um corpo.


tenho pensado demais no meu diagnostico de bipolaridade, pensado demais nas pessoas que namorei numa tentativa de pedir ajuda para acalmar tudo que estava de alguma maneira explodindo dentro de mim. Pensado em como tenho tentado pedir ajuda nos últimos anos sem ser entendido e também em como mandar e-mails de gratidão a quem amei no passado dizendo coisas como "não tenho pensado em voltar, mas queria agradecer o tempo que estivemos juntos, foi o período mais estável da minha vida". Mas a última frase pede que reforce trinta vezes, "não tenho pensado em voltar".