coisas que eu deixei

    Esses dias, por ter a consciência de que voltei ao meu peso de quando cheguei em campinas, percebi que todas as coisas estão retornando ao seu lugar, como na canção do Roberto Carlos "eu voltei para coisas que eu deixei".

     Retornei a ouvir meus podcasts, ideias de publicar um livro de maneira artesanal, ideias para minha casa que começarei a dar início este ano, ideias do que me dá tesão na profissão que eu escolhi e a certeza de que eu quero escrever e ler coisas que me animam, nesse futuro doutorado que virá de uma forma diferente de como aconteceu meu mestrado (enviando essas energias e vibrações ao universo).

     Achei que fosse publicar meu livro novo antes do fim do ano, mas parece que virá depois de janeiro, mas terei orgulho, colecionando fotos de heineken para uma divulgação nas redes sociais. No primeiro semestre do ano que vem provavelmente participarei da elaboração de um evento sobre correspondência e já comecei a pensar em dialogar a correspondência de morte do Getúlio Vargas e do Michel Temer.

    Eu ando transbordando de criatividade e de amor às coisas que me alimentam na minha profissão. 2025 estarei vibrando felicidade e realização e ando com pena de quem se por na frente do meu desfile. 



Ninguém chora pelos malvados, ninguém deixa um lírio em suas covas

     Estimados poucos leitores,

    Trago atualizações, assisti duas vezes Wicked no cinema. Enfatizo que assisti duas vezes porque o filme é fascinante. Não esperava muito da Ariana Grande, mas as meninas da TV já passam por uma seleção na infância né?! Um time perfeito para as piadas e uma voz que já conhecidamente perfeita. Para nós verdes, a vida sempre será confiar em nossos instíntos no voo solitário. 

    A segunda coisa relevante, estou na fase final do meu segundo livro que estou produzindo de maneira artesanal e marginal, sem apoio de editoras, gerou um custo que não quero ofecerecer aos meus amigos, então, eu vou dar de presente para pessoas que de fato se interessam pelo o que eu produzo. Será costurado a mão e se tudo der certo terá uma contracapa legal. So if you care to find me, look to the western sky ou me mande um email que te mando o livro novo.



    O que me faz radiante neste pequeno projeto, é que estou trabalhando sozinho na elaboração do material, na construção artesanal do livro, na edição no indesign. Tive que pagar pela arte da capa, porém não tive escolha, queria que fosse feito por um amigo, mas ele só me enrolou e se frustrou por não alcançar o produto que gostaria de me enviar. 

    Por fim, gostaria de falar sobre minha oliveira, por enquanto nenhum sinal de que ela germinou. O potinho está acumulando mosquinhas, por algum motivo que não sei, a terra sozinha brotou uma mudinha minuscula de alguma coisa que provavelmente existia no substrato, porém não faço ideia sobre a germinação das semente. 

Para vocês que me leem, um forte abraço afetuoso,

Bruno Couto.





ps: já decidi que meu Rayquaza shiny de fim de ano se chamará Elphaba

 

Regressando aos óculos de madeira de 2016, mas desta vez com armação redonda (lembro que a primeira vez que comprei o meu quadradão de madeira, eu não gostava do redondo por ser uma armação branca, depois de quase 10 anos eles começaram a fazer da cor da madeira que você quiser, se ficará bem em mim são outros quinhentos, outra crise existencial e lamento por gasto de dinheiro. Vamos ver se me adapto! 

INVEJA

     Esses dias me dei conta no quanto desejo coisas. Meu orientador me contou feliz que se tornou avaliador do prêmio ocenanos. Estávamos num bar e disse a ele: - agora é aquele momento que você para o bar e diz: "uma rodada para todo mundo por minha conta!" Ele me cortou e disse para falar baixo (imaginei que fosse sigiloso). 

        Semana passada, fui apresentar num congresso sobre a Ana Cristina Cesar e uma colega Talita (talvez um nome fictício) se apresentou tão bem, com tanto amor pelo o que apresentava, não se apegou ao texto (como aprendi a fazer para passar seriedade). Fiquei com tanta vontade de testar alguma apresentação dessa forma, para desafiar a minha oratória. 

        O título desse texto diz inveja, mas não é o sentimento pelo qual estou reinvindicando neste dois casos isolados. Curiosamente, um crush da universidade, talvez de 2015, casou em uma mega cerimônia com um rapaz. (Todos os dias eu penso em fazer uma festa de casamento para aproveitar o momento especial com meus amigos, por minha conta é claro).

        Temos aqui, no parágrafo acima meu caso de inveja declarada. Acho que tive uma conversa sobre relacionamento e afetividade com Matheus anos atrás e lembro de uns comentários aleatórios que me disse: "eu não sei exatamente aonde, mas todas as vezes que converso contigo, me vem a sensação de que você está me ensinando alguma coisa de profundidade sobre a vida". Como se eu me colocasse num lugar superior a ele.    

        De lá para cá, muita coisa mudou, talvez essa arrogância de me por num lugar superior a alguém no flerte tenha mudado bastante. É difícil prever, uma vez que eu me vejo como uma pessoa tão mais fácil de lidar, de que no final eu vou investir e a outra pessoa não vai saber lidar com os sentimentos dela. Em algum momento lidando com homens, flertando com homens, aprendi a ser assim, algo que ando me policiando. 

        Mas sobre a inveja, senti inveja do casamento do Matheus, por ter sentido muito amor por ele em algum momento, por ser espírita e aceitar casar com alguém publicamente e esse alguém não ser eu. Sobre o meu orientador, eu quero ter a minha trajetória e ser chamado para avaliar os concorrentes do prêmio oceanos ou sobre a Talita, quero também aprender a ter mais desenvoltura em público. Sobre os dois primeiros parágrafos, eu quero me superar, sobre o Matheus, eu desejo felicidade ao casamento.



 "levanta só um pouquinho a barra da chuva,

o que é que você vê? gotas a tamborilar"

Monique Deheinzelin

"Amor? pássaro que põe ovos de ferro" Guimarães Rosa

Erasmo Carlos - É Preciso Dar um Jeito, Meu Amigo

 


Gostaria de começar este post com a frase, essa música no filme Ainda estou aqui é uma pedrada no olho. Eu cresci em torno do primeiro batalhão de polícia do exército, onde muita gente foi torturada e morta pelos governos da ditadura. Assistir o filme vendo o que acontecia ali me tirou o fôlego de tantas maneiras. O silêncio em que muitos momentos a Fernanda Torres nos proporciona no filme é um tapa, é uma agressão, é um gesto de engolir a seco. Não vou dar uma nota nem especular que a gente merece um prêmio tal de cinema, porque a gente é maior que isso. A gente é maior que um prêmio de uma Gwyneth Paltrow usará como peso de porta.

Eu cheguei de muito longe E a viagem foi tão longa E na minha caminhada Obstáculos na estrada, mas enfim aqui estou Mas estou envergonhado Com as coisas que eu vi Mas não vou ficar calado No conforto acomodado como tantos por aí É preciso dar um jeito, meu amigo É preciso dar um jeito, meu amigo Descansar não adianta Quando a gente se levanta quanta coisa aconteceu As crianças são levadas pela mão de gente grande Quem me trouxe até agora Me deixou e foi embora como tantos por aí É preciso dar um jeito, meu amigo É preciso dar um jeito, meu amigo Descansar não adianta Quando a gente se levanta quanta coisa aconteceu É preciso dar um jeito, meu amigo É preciso dar um jeito, meu amigo É preciso sim É preciso É preciso dar um jeito.