Uma capa e muitas decepções, mas seguimos.

 


    Meu primeiro livro está saindo do forno, cada dia se aproxima, nada do que esperei e nada que pude negociar ou conversar sobre o projeto gráfico. Mas o conteúdo parece que está do jeito que pedi, satisfeito apesar dos pesares dos sentimentos de não ter sido ouvido. Primeiro trabalho, vamos em frente com os sapos que ainda os usarei para ataque.

    A pesquisa segue firme e caminhando, algumas mudanças serão feitas caso eu siga a vida acadêmica, repito inúmeras vezes para mim; "levanta a cabeça, princesa. Se não a coroa cai". Vacila que eu te troco, meu amor. Que nunca mais olho para ti, que nunca mais te menciono para tentar te violentar. Porque eu sobrevivo, não importa o quê.


Heartstopper

    Hoje terminei de assistir, achei fraquinha, mas algo que todos os meus amigos retomam "é super leve", também desejei várias roupas que o Nick usa na série (E mais uma vez me arrependi de não ter comprado um moletom da Adidas quando pensei em comprar porque sai de venda). Mas deixando a parte fútil de lado, acho que a parte que mais me tocou foi o ataque gratuito que o casal lésbico recebe por assumir seu relacionamento na internet, as perguntas sem maldade e os risos foram bem dolorosos (para mim). Acho que nosso amor está cansado de ser chacota e alvo do mundo das não-minorias. 

    Me tocou também a sensibilidade do Nick ao perceber a dolorosa cruz que os afeminados carregam ao ter que esconder quem se ama. Acho que todos que esperei um retorno afetivo do tamanho do meu amor deveriam assistir ou aprender a ter empatia (palavra tão desgastada), ainda acreditando no amor e ainda esperando viver algo leve, mesmo meu corpo dizendo que não sou digno de ser amado. 

Stultifera Navis


 O livro 'A nau dos insensatos' (Stultifera Navis ou Narrenschiff), escrito por Sebastian Brant em 1494, apresenta críticas e ironiza a sociedade de seu tempo sob a forma de um longo poema satírico, revelando um panorama dos costumes do final do século XV: os seresteiros noturnos sendo repelidos da janela com o conteúdo dos pinicos, a falsificação de dinheiro e a adulteração do vinho, o mensageiro bêbado que não consegue se lembrar da notícia a ser transmitida, os fiéis que levam para a igreja seus cães perdigueiros e gaviões de caça, a mania de falar ofensas e lançar maldições, entre outros.

Fonte:
https://www.ex-isto.com/2020/01/navio-dos-loucos.html

provavelmente 10 de abril de 2022

Indígenas protestam em Brasília contra projeto que autoriza exploração de terras para mineração.



Um texto que pensei em divulgar para falar do meu livro, mas achei melhor deixar quieto.

 [AMARRAÇÃO DE AMOR] ressentimento 

Na manhã do dia 19 de maio de 2010, enquanto furava uma parede com uma furadeira na varanda de casa, meu vizinho foi morto pela Polícia Militar. Eu estava no segundo período da faculdade de Letras, naquela época, eu ainda não sabia que existia um mundo dos bichos e o mundo das pessoas que existiam de forma concomitante. Um é o mundo que te silencia com um "NÃO", o outro com a violência de um corpo caído.

Quando penso no meu livro, imediatamente ou involuntariamente, eu penso sobre esses dois mundos que de alguma forma tentam se afastar, mas que habitam como um ressentimento em mim. Eu cruzei uma fronteira tenebrosa que todos os dias me mantém submerso num sentimento de exclusão de dois mundos. Eu fui na universidade uma exceção que não me deram direito a qualquer ação afirmativa que amenizasse a merda de não ser nada. 

O espaço que te humilha para pertencer ao mundo das pessoas, se choca com uma corriqueira grosseria do outro lado. O Ensino Superior nunca vai te oferecer as ferramentas para se tornar um deles. Vão te espremer até desistir. A gente que frequenta o mundo das pessoas para conquistar a libertação econômica, sente vergonha por existir o tempo inteiro, vergonha de onde mora, vergonha de onde saiu, vergonha da violência que vai além de nosso controle.

A universidade que faz projetinho social em favela, em outros contextos, é a que debocha do aluno que vende bala no ônibus. Assim, todo esse ressentimento perpassa por um diagnóstico lamentável de me ver pertencente a essa classe média, com a diferença que, talvez, eu não tenha ou nunca terei uma indicação certa para um trabalho. Eu sai de um buraco onde a lei do mais forte rege todo o caos, para um mundo civilizado em que as palavras tentam cumprir todas as demandas.

Talvez o meu livro não te diga nada, mas a favela tá lá, as minhas grosserias estão lá. Eu gritando mais alto, sendo bicho que chora, um bicho ferido, uma bicha. Tudo lá, registrado para quem se aventurar ler alguma coisa. Que merda, acordar um dia se entendendo como um bicho híbrido de uma classe média, pelo menos nunca repeti pra ninguém "como fazer poesia depois Auschwitz?", nem imagino o riso da minha avó ouvindo uma coisa dessa.