Aqui Jaz Virginia Woolf



Para ler ao som de Cavatina do Quarteto Nº 13 em Si Bemol Maior, Op. 130 de Beethoven.

              
              “Estou certa de que estou enlouquecendo outra vez. Sinto que não podemos sobreviver outro daqueles terríveis períodos. E não me recobraria desta vez. Começo a ouvir vozes, e não consigo me concentrar. Assim, estou fazendo o que parece a melhor coisa. Você me deu a maior felicidade possível. Você foi, sob todos os aspectos, tudo o que alguém pode ser. Não Creio que duas pessoas tenham sido mais felizes até que sobreveio essa terrível doença. Não consigo mais lutar. Sei que estou estragando a sua vida, que sem mim você conseguirá trabalhar. E você o fará, eu sei. Você percebe que não consigo nem escrever direito. Não consigo ler. O que posso dizer é que devo toda a felicidade da minha vida a você. Você foi inteiramente paciente comigo e incrivelmente bom. Quero dizer que... todo mundo sabe. Se alguém pudesse ter me salvado teria sido você. Tudo se esvaiu de mim, menos a certeza de sua bondade. Não posso mais continuar estragando a sua vida. Não creio que duas pessoas possam ter sido mais felizes do que nós fomos.”

               Leonard enterrou as cinzas debaixo de um dos dois grandes olmos que eles haviam batizado de “Leonard” e “Virginia”, no jardim da Monk’s House. Em cima, uma tabuleta com uma citação do final de As Ondas:

“Contra ti me arremeto, invencível e inquebrantável, ó morte.”

Eu Quero Ser Hushpuppy

Eu sempre achei que no enterro do meu pai, ele estaria sem tripa, coração e muito menos amor. E que eu, subiria no túmulo e dançaria um samba bravo,violento sobre a tumba dele. Mas que Drummond me perdoe, pois decidi, nesse dia eu comerei um bolo de aniversário e me lambuzarei de felicidade com o mais puro e açucarado glacê de todos os tempos.

A primeira macumba a gente nunca esquece.



Depois de um final de semana longe de casa, comemorando meu aniversário, chego em casa, no meu prédio e na porta da frente, exatamente na porta da vizinha, a visto um prato marrom preenchido com farofa  e três incensos. No mínimo curioso, e gostaria muito de segundos depois não ter reconhecido o prato de casa, a cena era deprimente parecia um bolo de farofa com três velas daquelas que soltam faíscas só que na verdade três incensos acesos. Antes que a síndica visse que, na porta da casa dela, tinha um projeto de despacho peguei o prato e joguei a farofa no lixo. No banheiro: minha avó colocando bobes no cabelo resmungando: “Agora ela nunca mais vai inventar historia de regar minha planta da porta, po o que que há?! Pra que foi cismar com minha planta, deixa minha planta em paz.”. 

- Oi vó, cheguei! O que era o projeto de macumba na porta da casa da dona Marta? 

-AHhh... a safada foi regar minha planta e veio tocar a companhia falando que a planta caiu no chão. Caiu porque a imunda num vai cuidar da vida dela, deixa minha planta em paz. Fiz um pratão de farofa com bastante cebola pra ela ficar assustada que sou bruxa, macumbeira e perigosa. 

Sinceramente, eu sempre ouvi dizer que macumba boa é macumba longe. Tipo em longiguaçu, Campo Grande,  Realengo. E nunca esperei ver nenhum tipo manifestação religiosa na porta de casa logo de manhã. É vergonhoso, mas minha avó se acha macumbeira porque acende um incenso com cheiro de erva uma vez ou outra. Admito que de inicio, eu fiquei com pena, senti uma vontade de me oferecer de ir ao mercadão de Madureira comprar um pote de barro daqueles que a gente vê nas encruzilhadas pra pelo menos aparentar mais real. Só que não. 

Nota do autor¹: Meu maior arrependimento foi não ter tirado uma foto.
Nota do autor²: Não sei se pego o prato e jogo fora ou se lavo e finjo que nada aconteceu.

Poesia para quem é de poesia.




"Freud e eu brigamos muito.
Irene no céu desmente: deixou de
trepar aos 45 anos."
(meu jeitinho de dizer: Feliz Natal)

Uma Carta de Assis.






Queridos amigos,

Trago a vocês duas maravilhosas notícias, antes de tudo mil desculpas ao meu repentino sumiço, mas estive tão ocupado com a faculdade que tive que deixar o blog de lado. Voltando as notícias, a primeira: faz alguns meses que entrei em contato com um Professor Doutor que escreveu a tese: "Caio Fernando Abreu [Para Ler ao Som de Clarice Lispector]" e solicitei ao mesmo o PDF do material, porém ele se recusou disse que o texto não estava revisado e que, por isso, ele não divulgava fiquei muito #Chatiado e insisti, disse que não ligava até me propus a revisar para ele. Mas seguro de sua opinião negou. Foi ai que fiquei revoltado e resolvi pegar um ônibus até a Faculdade de Tecnologia de Mococa - São Paulo. Foram dois dias de viagem, engarrafamento e falta de banho. Parei - Nada dessa viagem aconteceu, mas aconteceria se eu não tivesse internet, entrei em contato com um grupo de Nerd's em São Paulo, e chorei na verdade implorei por uma ajuda, e assim conheci o Pedro, estudante da Faculdade de Psicologia da UNESP, (Pedro eternamente amado) onde o autor da tese fez a defesa e para a alegria da nação consegui uma cópia! Nunca no meu coração fiquei tão feliz de receber um envelope de uma pequena cidade chamada "Assis", na verdade nunca esperei um dia receber uma carta de Assis, foi a carta mais feliz que já recebi na vida e olha que já enviei pelos correios, já dei em mãos com presentes, passei a língua em vários envelopes! mas nunca recebi um texto tão desejado. Agora, deliciem-se com a tese em minhas mãos, Bu sambando na cara da sociedade. E finalmente a outra notícia: terminarei o ano com a segunda publicação em mais uma coletânea de contos, chamada "Dragões", com o lançamento agora dia 20 de dezembro. Obrigado pelo carinho, pelos email's e pelas felicidades em palavras que para mim são muito valorosas. Feliz Natal e um Ano Novo de Felicidades! Não esqueçam que dia 3 de janeiro a gente comemora o meu aniversário! Bebemoraremos muito! Beijos do Bu.

Que Merda, Freixo?




Ano eleitoral e a surpresa de uma corja de candidatos imundos como Rodrigo Maia, que uma sábia amiga diz: “ele representa, só de olhar, aquele famoso colega da faculdade que cola em todas as provas e se junta com o pior tipinho da sala de aula, e no final do semestre com a maior cara-de-pau chorar 3 décimos para a professora o passar na disciplina. Mas como ele mesmo diz e levanta a bandeira “o importante é passar”.” Em algum desses dias, eu tive que expressar uma gargalhada, fiquei sabendo que a Clarice Garotinho nos tempos de militante do PMDB chegou a participar de uma manifestação em que ela protestava contra a cassação do mandato da mãe.  Se não conhecêssemos o histórico até acreditaríamos na causa dos injustiçados da família Garotinho. Aspásia Camargo, candidata pelo PV, coitada. Ela acredita mesmo que vai chegar à prefeitura com o plano de sustentabilidade? Que dó, muita dó. Deus, eu suplico me dê fé. Outro candidato perdido no mundo é o Otávio Leite, que convenhamos caro companheiro nessa briga vemos um coadjuvante perdido. Há alguns meses, eu já ouvia falar de Marcelo Freixo, custava acreditar que não poderia respeita-lo, pois Freixo em meu íntimo resguardava uma imagem popular - para quem estuda em universidade pública – a todos que vejo de seu partido PSOL, que como o PSTU, partidos políticos feitos daquela gente que tem caraca nas orelhas e invade sala da xerox pedindo por um socialismo indigno, chorando e pedindo voto custe o que custar. Claro, até podemos criar exceções, mas caro leitor, há poucos com uma higiene básica. Mas voltando ao Freixo, ele de fato tem propostas inovadoras, e levaria a nossa política para um novo patamar, viveríamos em um estado mais justo onde pessoas competentes estariam trabalhando para o melhor de cada setor, não é questão de não ser grato pelas mudanças que Eduardo Paes e Sergio Cabral fizeram à nossa cidade, mas sim, a sensação de que pode melhorar mais e mais, ou morreríamos tentando acreditar que ele é a solução para nossos problemas de desigualdade, acho que na verdade eu quero dar esse voto de confiança, eu não quero viver refém na minha própria cidade, por isso que do fundo do meu coração, eu peço, Deus não me faça desacreditar na democracia, mesmo que imposta, eu quero meu coração palpitando em acreditar que não seremos reféns de um governo de interesses de poderosos empresários, que há sim, um Estado democrático em minha cidade, e que o sentimento de merda mastigada entre minha boca, não permaneça intacta. E por esse conjunto de fatores, vendo candidatos tão diversos e com o medo de continuarmos nas mãos do Eduardo Paes que chega a ser tão desanimador tentar estar antenado nas eleições do Rio de Janeiro, eu quero acreditar em alguém que me dê à segurança de uma cidade melhor, ou que tentem transforma-la de fato em um lugar menos desigual. 




 (Minha avó e eu assistindo debate)
Eu gosto do Rodrigo Maia, antes quando o Cesar Maia era prefeito, os trombadinhas vestiam laranja, agora eu nem sei mais ver quem é quem na hora de atravessar a rua. #Oi?

Nota do dono do blog¹: Aspásia Camargo foi apresentada no decorrer desse texto, assim como sua presença nas eleições à prefeitura do Rio de Janeiro, lembrada e mencionada por um grande respeito de intelecto, porém  breve.
 

Nota do dono do blog²: Em algum lugar do Rio perdido na periferia, tentando divulgar uma hashtag, está Cyro Garcia #chatiado, muito #chatiado.