Duas noites.

                                                  
Rejeição, sentimento contramão./Ney Matogrosso 

- Brigamos, foi à conclusão de duas noites no escuro.  Por diversos motivos que cada qual saberia, bem, defender o seu lado. Nos amamos, porém nessas duas noites não nos olhamos, evitávamos o olhar do outro.  No corredor entre o banheiro e nosso quarto, nas noites simplórias, entre nossas repentinas necessidades, havia o farol mesmo que metafórico, não tínhamos aprendido que a luz acessa do banheiro, algum dia significaria tanto.

Compartilhávamos da mesma vontade de abraçar, de sorrir, de beijar o outro, mas havia algo mais forte que separava toda essa vontade, e consequentemente refletia no escuro exposto. Por isso, passamos a dormir de costas um para o outro, talvez uma das piores noites de nossas vidas. Mesmo que com todo amor, naqueles dias, o maior sentimento o orgulho. Realizou-se com o cruel frio que separava o outro.

Domine o mundo vendendo pipoca.


Esses dias num ponto de ônibus de frente ao CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) entrei numa inusitada conclusão, com dois amigos, dois esquisitos por sinal. Enfim, a ideia era simples e foi pensada olhando para um pipoqueiro. Se você vende um saquinho de pipoca você ganha 2 reais. Levando em consideração que um saco de milho para fazer pipoca num mercado convencional é 80 centavos, e dá para produzir centenas de saquinhos com um litro de óleo, que por sua vez é três e cinquenta, o plano é infalível em um dia na frente de uma escolinha de ensino médio, no final do turno da manhã com o dinheiro arrecadado você já pode comprar seu carrinho de pipoca de metal! Em um mês você já constitui uma casa própria, uma mulher vigarista de olho em todos os seus bens, e no final de um ano, mas preste atenção nessa dica: Se não tiver a seriedade de um empreendedor você pode acabar sua vida pagando pensão alimentícia para quatro filhos, porém se você continuar no seu caminho de empreendimento chegará, no final de dois anos, com dois pipoqueiros no centro vendendo pipoca e após 10 anos: Um conglomerado internacional de perfil inovador comercializando um propenso mercado em expansão de produtos alimentícios Yoki. Enquanto isso como meu sorvete planejando minha vida de professor porque infelizmente meu destino é escrever. Mas prometo destino, que um dia tomo coragem e vou dominar o mundo vendendo pipoca e não há no mundo alguém para me segurar.

Lançamento do Meu Primeiro Livro


“Que Julho venha com bons ventos, que me traga sorte e amor, que não me deixe sofrer, por favor. Só por um mês, faça tudo dar certo, depois veremos o que vamos fazer em Agosto.”
 

Queria agradecer as mensagens me parabenizando pelo meu trabalho, o carinho das pessoas queridas, e afeto incondicional dos meus amigos. Obrigado por participarem desse momento feliz. Minha vida não para, os momentos sempre são os únicos, todas as pessoas que conheci até hoje, agradeço por terem sido significativas em algum momento em que precisava. Obrigado ao amor que sempre me acompanhou que se fez presente que me preenche de luz o meu caminho.

O Caqui o verdadeiro Fruto Proibido.



Esses dias, ouvi uma história de um professor que dizia que o caqui deveria ser o grande símbolo do fruto proibido, pois bem, os motivos eram claros na mente dele, a Maçã aquele fruto duro, que machuca a gengiva (pelo menos a dele) era o oposto do "suculento caqui". O caqui é macio, há uma sensualização ao pegar e ao comprimir na mão, isto é, uma "lambuzação"¹ sensualizadora ao morder o fruto que espirra líquido e numa mordida errónea você pode até criar uma cena no seu imaginário do liquido do caqui escorrendo por um corpo nu, mostrando todas as curvas de um corpo - primo do tomate - o caqui aquela fruta que na minha opinião sem graça, nunca até então me provocara uma reflexão do gênero. Ele ainda finalizava, o caqui não sobra uma parte que acaba sempre indo para o lixo, é tão mais simples e provocativo.



¹Lambuzação: Lambuzar +ção (Substantivação de um verbo?)

Vergonha, Ashton?

"Em meio a temporal, Ashton Kutcher "surfa" nas ruas de São Paulo"



Eu não senti vergonha de ser brasileiro, eu desejei mesmo que você pegasse uma doença no pé, e só.

É nois do Sul

Hoje à noite, na volta do trabalho para casa, voltei pela Avenida Presidente Vargas. Não por nunca realizar esse trajeto, muito pelo contrário passo por ela todos os dias, ou como se algo em especial, fora do comum, estivesse acontecendo apenas ali, nada disso. Definitivamente não estava acontecendo nada demais, por exceção do sambódromo, onde estava ocorrendo ensaios para os desfiles do carnaval de 2012.

Eu vi tanta gente, e acredite era muita gente mesmo, arquibancos lotados, crianças caraterizadas. Existia uma contagiante alegria por ali rolando. E no meio de tanta gente antecipando o carnaval, havia tanto entulho, um verdadeiro canteiro de obras, foi isso que assombrou meus pensamentos. “um verdadeiro canteiro de obras” foi isso que minha cidade se tornou.

Quando a ponte Rio-Niterói estava sendo construída, havia aquela sensação de progresso de “Brasil o país do futuro” ainda mais com a vitória da seleção brasileira na copa na mesma época, década de 70 se não me engano. Mas o ponto no qual quero chegar é esse sentimento similar de Brasil-o-país-do-futuro que anda governando meu coração.

O Brasil vai sediar a Copa e as Olímpiadas. A Europa inteira em crise, fala-se até do fim do euro. Até a nossa música rolando pelo mundo, é realmente tempo de novos sentimentos, tudo novo para nosso orgulho de ser brasileiro. Enquanto esse povo do Norte chora por sua economia liberalista-democrática, NOIS* do sul gasta e consome com nossa economia Neoliberista com intervenção do Estado , Engole essa.

Nem toda Travessa merece uma Laselva.

  “Gosto tanto de você, baby. Só que os escritores são seres muito cruéis, estão sempre matando a vida à procura de histórias.” /Caio F. Abreu
 

Optar a Literatura como arte, foi talvez, uma das minhas decisões mais difíceis. A medida que a mídia nos empurra Paulo Coelho, Jô Soares, ou a Internet que atua nos empurrando blogs, twitters com toda essa gente que não sabe escrever. Eu tenho me assustado e me revoltado com tamanha quantidade de informação desnecessária que nos é enviada e empurrada goela abaixo.

Não venho aqui ter a prepotência de dizer que sou um escritor melhor ou pior que o Paulo Coelho ou o Jô Soares, até porque pela experiência de vida de ambos, com certeza acredito que os dois tenham mais tempo de estrada e historias mais interessantes para contar que eu. Portanto, proponho nesse Post o registro da minha insatisfação do que é Literatura e o que a mídia e/ou os meios de comunicação nos empurram como consumo, visto que é fácil ter um livro vendido na categoria best-sallers (Mais vendidos) exibindo um comercial no horário nobre da televisão brasileira, ou se popularmente preferir: no horário comercial da novela das nove oito.


Essa revolta toda na verdade é vestígios do meu desencantamento e descontentamento de trabalhar numa livraria, um emprego no qual eu saltitava em acreditar que de poético e mágico – leia-se poético e mágico apenas na minha mente fantasiosa – todavia, não demorei a persistir em viver a tal da cruel-realidade-humana, e me encontrei após o primeiro dia um desconforto e incomodo com um trabalho sujo de vender livros de autoajuda e não esqueça é claro os tão fracos Best-Sellers que tenho que empurrar para as pessoas para ganhar uma comissão para somar ao meu salário juntamente com o desgaste emocional de aturar gente intelectual que lê MENTES PERIGOSAS de Ana Beatriz Barbosa.

Eu digo a Literatura como uma das mais difíceis formas de artes, pois a literatura exige um tempo, uma sensibilidade mais que visual ou material palpável que outras formas de arte, talvez, possa expressar e exibir com facilidade. Ao contrário de físico a literatura pede paciência e tenta cativar de maneira mais simples, com o reconhecimento do leitor ao enredo descrito por páginas e mais páginas, com orações extensas e algumas cansativas de se ter vontade de ler e/ou acompanhar. E de tudo mais sujo na vida o best-seller oferece uma leitura fácil e sem desafios ao leitor, é doutrinar a literatura como algo necessário e não como uma arte.

*Laselva a maldita livraria.