maio que ainda está por vir

    Hoje, um coletivo periférico aqui de campinas anunciou uma oficina de poesia que desenvolvi sobre a favela. E ando com vontade de começar a falar sobre corpo, música e palavras chulas. Iniciar uma poesia enaltecendo "Dako é bom" Tati Quebra-barraco. Essas manifestações do cotidiano que passam pela oralidade, sempre me soaram tão lindas, porque, pra mim, a poesia está em tudo que respirando inclusive numa passarela da Avenida Brasil, ali discreta sem muito alarde. Por isso o nome: as coisas consideradas sem ênfase. (uma referência a Drummond, claramente).


    O mês de maio tem sido um mês de medos, anseios e movimentações. Abril foi inexistente, não consegui movimentar minha dissertação, mas agora medicado, estou com mais esperanças. Como sempre opero em beira de burnout, também consegui a capa final do meu projeto de livro de "baixarias & situações vulgares". Adendos: nunca pensei que fosse tão custoso imprimir um livro dentro de sua própria casa. Mas minha dose de poesia marginal de apenas 100 tiragens está em fase final. 


    Regis, não faz ideia. O leitor da flor (segue foto abaixo), mas ele receberá a cópia 02. A primeira foi prometida ao André, aquele que colocarei para me ajudar a costurar livros e não sabe a furada que está se metendo. É o preço de ter a cópia número 01 de um livro artesanal feito à mão na impressora de casa. Mas do fundo do coração espero que todos os amigos que receberem o livro guardem com afeto um material idealizado do início ao fim para uma experiência.


Por fim, notas para o Bruno do futuro que deixou de ir ao show da Lady Gaga por consideração à uma amiga vacilona, você não para de ouvir Vanish into you. Esses quatro anos foram difíceis na UNICAMP, mas você nunca mais será o mesmo. Obrigado a todos que em vida não pude agradecer e nunca saberia por em palavras o tamanho do meu amor. Como um personagem Clariciano com pitadas de Novos Baianos, eu transbordo amor da cabeça aos pés. 




Valéria Coelho - Belém

 

"Daqui, em 1976, acenei para você" é uma frase que foi incluída no prédio do Solar da Beira, em Belém, no Pará, em meados de 2010. A frase foi parte de uma intervenção urbana da artista Valéria Coelho para o Arte Pará de 2010. O objetivo era transcrever as memórias dos locais. 

 Ultimamente, só eu sei o que ando sentido com a aproximação do fim deste mestrado. Vivendo intensamente síndrome do impostor sem ter com quem dividir essa angústia concentrada. Penso demais num recorte de tantos vídeos de Fernanda Montenegro falando sobre o globo de ouro da filha, em um dos comentários dela. Ela celebra que a filha estava recebendo uma premição sobre sua carreira de atriz que ela tanto se questionou, uma vez que Fernanda Torres tem uma carreira de escritora (crônista) reconhecida em número de vendas e crítica. Aos 59 anos chegou seu reconhecimento como atriz. Não sei se quero esperar o reconhecimento da carreira beirando os 60 anos, a vida é "tão laminha". Sobreviver e se reconstruir até o reconhecimento vir? Curiosamente, meu novo livro vem aí. Sem o mesmo reconhecimento de alguns amigos na mesma labuta que a minha. Livro com carinho, e autencidade, talvez com vergonha alheia futura, mas a meta é produzir e depois repensar.

    Esses dias ajudei um ator a construir um personagem chamado Danilo, que vive com HIV e foi rejeitado pelo namorado. Me senti feliz por contribuir e sentir que tenho muito a dizer às pessoas. Mas infelizmente ainda ando recalculando vida, recalculando medos, recalculando dores. Sem ter para quem dividir o que será da minha vida, onde será minha vida, onde que eu vou descansar meu medo do fracasso.  Que nunca me falte coragem.

                                                (rascunho de projeto gráfico para o ilustrador)

Cartão Postal - Rita Lee

 "Pra que sofrer com despedida

Se quem partir não leva nem o sol, nem as trevas

E quem fica não se esquece tudo o que sonhou?"