Descompassos de uma vida apaixonada.

           

"Eu não tenho medo de te amar depois morrer, porque morrer de amor é viver."
Esses dias aconteceu um evento que me fez refletir. Uma entrevista. Me perguntaram se eu gostava de Literatura Portuguesa, pausei a mão sobre o coração, e de maneira mais apaixonada disse: "Eu gosto bastante". A editora que precisava de um estagiário que conhecesse seus produções, insistiu, "de que autor você gosta?", agora pensando, poderia ter dito Valter Hugo Mae ou até mesmo o Fernando Pessoa, mas acho que meu sorriso e minha excitação falaram mais alto e respondi antes de conseguir pensar, meio que por impulso. Com os olhos brilhando eu disse: "- Camões, eu amo Camões." elas ficaram surpresas com minha resposta. E me perguntaram: "Como assim? Alguém tão novo gosta de Camões?!" Eu que já me desprendi de certos conceitos respondi: "Eu tive um professor titular em Literatura Portuguesa que lia os sonetos e baixava o livro sobre o colo, parava na minha frente exibia o braço e dizia: 'Tá vendo Bruno?" eu sem entender olhava para o braço dele e dizia: "o que professor?". "Estou arrepiado!". Nossa é indescritível como meu coração compartilhava da mesma emoção que a dele. Eu puxei todas as matérias que consegui, tentei acompanha-lo na faculdade por tamanha habilidade em me envolver com seus sentimentos e suas leituras. "Eu sei que parece bobo." Disse na entrevista, "mas ele despertava o mais puro dos meus sentimentos". Elas riram, mas sai de lá Bruno, humilde, apaixonado e confiante de que eu tinha sido eu sem mais a vergonha que me trava o espirito. É assim que tenho desejado ser, mais e mais doce.

Aqui Jaz Virginia Woolf



Para ler ao som de Cavatina do Quarteto Nº 13 em Si Bemol Maior, Op. 130 de Beethoven.

              
              “Estou certa de que estou enlouquecendo outra vez. Sinto que não podemos sobreviver outro daqueles terríveis períodos. E não me recobraria desta vez. Começo a ouvir vozes, e não consigo me concentrar. Assim, estou fazendo o que parece a melhor coisa. Você me deu a maior felicidade possível. Você foi, sob todos os aspectos, tudo o que alguém pode ser. Não Creio que duas pessoas tenham sido mais felizes até que sobreveio essa terrível doença. Não consigo mais lutar. Sei que estou estragando a sua vida, que sem mim você conseguirá trabalhar. E você o fará, eu sei. Você percebe que não consigo nem escrever direito. Não consigo ler. O que posso dizer é que devo toda a felicidade da minha vida a você. Você foi inteiramente paciente comigo e incrivelmente bom. Quero dizer que... todo mundo sabe. Se alguém pudesse ter me salvado teria sido você. Tudo se esvaiu de mim, menos a certeza de sua bondade. Não posso mais continuar estragando a sua vida. Não creio que duas pessoas possam ter sido mais felizes do que nós fomos.”

               Leonard enterrou as cinzas debaixo de um dos dois grandes olmos que eles haviam batizado de “Leonard” e “Virginia”, no jardim da Monk’s House. Em cima, uma tabuleta com uma citação do final de As Ondas:

“Contra ti me arremeto, invencível e inquebrantável, ó morte.”

Eu Quero Ser Hushpuppy

Eu sempre achei que no enterro do meu pai, ele estaria sem tripa, coração e muito menos amor. E que eu, subiria no túmulo e dançaria um samba bravo,violento sobre a tumba dele. Mas que Drummond me perdoe, pois decidi, nesse dia eu comerei um bolo de aniversário e me lambuzarei de felicidade com o mais puro e açucarado glacê de todos os tempos.

A primeira macumba a gente nunca esquece.



Depois de um final de semana longe de casa, comemorando meu aniversário, chego em casa, no meu prédio e na porta da frente, exatamente na porta da vizinha, a visto um prato marrom preenchido com farofa  e três incensos. No mínimo curioso, e gostaria muito de segundos depois não ter reconhecido o prato de casa, a cena era deprimente parecia um bolo de farofa com três velas daquelas que soltam faíscas só que na verdade três incensos acesos. Antes que a síndica visse que, na porta da casa dela, tinha um projeto de despacho peguei o prato e joguei a farofa no lixo. No banheiro: minha avó colocando bobes no cabelo resmungando: “Agora ela nunca mais vai inventar historia de regar minha planta da porta, po o que que há?! Pra que foi cismar com minha planta, deixa minha planta em paz.”. 

- Oi vó, cheguei! O que era o projeto de macumba na porta da casa da dona Marta? 

-AHhh... a safada foi regar minha planta e veio tocar a companhia falando que a planta caiu no chão. Caiu porque a imunda num vai cuidar da vida dela, deixa minha planta em paz. Fiz um pratão de farofa com bastante cebola pra ela ficar assustada que sou bruxa, macumbeira e perigosa. 

Sinceramente, eu sempre ouvi dizer que macumba boa é macumba longe. Tipo em longiguaçu, Campo Grande,  Realengo. E nunca esperei ver nenhum tipo manifestação religiosa na porta de casa logo de manhã. É vergonhoso, mas minha avó se acha macumbeira porque acende um incenso com cheiro de erva uma vez ou outra. Admito que de inicio, eu fiquei com pena, senti uma vontade de me oferecer de ir ao mercadão de Madureira comprar um pote de barro daqueles que a gente vê nas encruzilhadas pra pelo menos aparentar mais real. Só que não. 

Nota do autor¹: Meu maior arrependimento foi não ter tirado uma foto.
Nota do autor²: Não sei se pego o prato e jogo fora ou se lavo e finjo que nada aconteceu.

Poesia para quem é de poesia.




"Freud e eu brigamos muito.
Irene no céu desmente: deixou de
trepar aos 45 anos."
(meu jeitinho de dizer: Feliz Natal)

Uma Carta de Assis.






Queridos amigos,

Trago a vocês duas maravilhosas notícias, antes de tudo mil desculpas ao meu repentino sumiço, mas estive tão ocupado com a faculdade que tive que deixar o blog de lado. Voltando as notícias, a primeira: faz alguns meses que entrei em contato com um Professor Doutor que escreveu a tese: "Caio Fernando Abreu [Para Ler ao Som de Clarice Lispector]" e solicitei ao mesmo o PDF do material, porém ele se recusou disse que o texto não estava revisado e que, por isso, ele não divulgava fiquei muito #Chatiado e insisti, disse que não ligava até me propus a revisar para ele. Mas seguro de sua opinião negou. Foi ai que fiquei revoltado e resolvi pegar um ônibus até a Faculdade de Tecnologia de Mococa - São Paulo. Foram dois dias de viagem, engarrafamento e falta de banho. Parei - Nada dessa viagem aconteceu, mas aconteceria se eu não tivesse internet, entrei em contato com um grupo de Nerd's em São Paulo, e chorei na verdade implorei por uma ajuda, e assim conheci o Pedro, estudante da Faculdade de Psicologia da UNESP, (Pedro eternamente amado) onde o autor da tese fez a defesa e para a alegria da nação consegui uma cópia! Nunca no meu coração fiquei tão feliz de receber um envelope de uma pequena cidade chamada "Assis", na verdade nunca esperei um dia receber uma carta de Assis, foi a carta mais feliz que já recebi na vida e olha que já enviei pelos correios, já dei em mãos com presentes, passei a língua em vários envelopes! mas nunca recebi um texto tão desejado. Agora, deliciem-se com a tese em minhas mãos, Bu sambando na cara da sociedade. E finalmente a outra notícia: terminarei o ano com a segunda publicação em mais uma coletânea de contos, chamada "Dragões", com o lançamento agora dia 20 de dezembro. Obrigado pelo carinho, pelos email's e pelas felicidades em palavras que para mim são muito valorosas. Feliz Natal e um Ano Novo de Felicidades! Não esqueçam que dia 3 de janeiro a gente comemora o meu aniversário! Bebemoraremos muito! Beijos do Bu.